Esmeriz – História
Rui Gonçalves Pereira, nascido por volta do ano de 1205, teria sido provavelmente o primeiro Senhor da Honra de Pereira em Esmeriz. Documentos de 1285, já referem Pedro Rodrigues Pereira, como sendo Senhor da Honra de Pereira – S.Pedro de Esmeriz… A Quinta de Pereira em Esmeriz, pertenceu também a D. Pedro Afonso(…), que casou com Dª Beatriz Pereira, no ano de 1401, ela, Dª Beatriz era filha de D. Nuno Álvares Pereira e, como dote pelo seu casamento com o infante, receberia as terras de Barroso e Barcelos, a que se juntavam outros coutos e honras de Entre-Douro-e-Minho e de Trás-os-Montes, bens que se vinham acrescentar às doações de D. João I a seu filho, sobretudo os julgados de Viana, Faria e Vermoim, julgado este ao qual ESMERIZ pertencia…*
As Armas da Freguesia – Escudo de prata, uma barra ondeada de azul e prata de três tiras acompanhada de uma roda de azenha de vermelho e de uma anta arqueológica de negro, realçada de prata. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco com a legenda a negro, em maiúsculas
*CARNEIRO, Eduardo Manuel Santos (1997) -”Actividades Sócio-Culturais, Comerciais e Personalidades de V. N. Famalicão no início do século XX”, CM V.N.F., V. N. Famalicão.
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Personagem importante nos finais do século XIX e inícios do século XX"Bernardino Pinheiro Correia de Mello, fidalgo da Casa Real, cavaleiro da ordem da Nossa Senhora da Conceição, comendador de Isabel a Católica, de Espanha, cavaleiro da ordem de S. Maurício e S. Lazaro de Itália, oficial às ordens d’el Rei Senhor D. Carlos e seu secretário particular" (1).O Conde de Arnoso nasceu a 27 de Maio de 1855. Fez o curso liceal com distinção e seguiu a carreira militar como oficial de engenharia. "Homem de finíssimo trato, tendo aprendido o culto das belas letras no convívio paterno, dedicou alguns dos seus ócios à literatura tendo publicado vários trabalhos. Amigo de Eça de Queiroz e de outros «vencidos da vida»"(2).Daí que na sua época se dissesse:"É um apreciado escritor... a sua obra literária é uma série de instantâneos do seu espírito.Sendo grande admirador de Eça de Queiroz" (3).Pelo decreto de 28 de Setembro de 1895 foi agraciado com o título de Conde de Arnoso* (4).Através de tudo isto que foi referido pode ver-se a grande importância do Conde de Arnoso para a nação, sendo ainda alvo de estima régia, pois era secretário particular do Rei D. Carlos. Na sua região, o Conde de Arnoso soube mostrar o seu valor, dando o seu contributo sempre que necessário.Isto pode confirmar-se num semanário da sua época:"O ilustre par do reino..., o nobre Conde de Arnoso depois que conseguiu que o Mosteiro de Arnoso* fosse considerado monumento nacional, nunca deixou de pugnar pela sua conservação..." (5).Devo salientar que este mosteiro, é uma construção românica datada de 1156. é uma das três igrejas românicas que ainda se encontram conservadas no concelho de Vila Nova de Famalicão.Sobre o Conde de Arnoso encontram-se várias notas no jornal «Estrela do Minho» onde nos são referidas todas as chegadas para férias e partidas para Lisboa deste ilustre personagem.Pode também através deste jornal saber-se um pouco mais acerca do Sr. Conde. Por exemplo, numa notícia de 19 de Julho de 1903 e na primeira página do jornal vem a seguinte nota:"De visita a se Exmo. irmão Sr. Visconde de Pindela, está à dias em S. Tiago da Cruz. o senhor Conde de Arnoso, secretário particular do rei, e um espírito ilustrado a toda a prova ao serviço de um caracter a todos os respeitos, digníssimo.O Sr. Conde e a sua Exma. esposa retiram amanhã para Lisboa" (6).E para atestar mais o grande valor deste personagem, sempre que ele vinha a Vila Nova de Famalicão, saía no semanário local a seguinte nota"Tem estado no solar de Pindela** os Srs. Condes de Arnoso, pelo que tem estado de serviço permanente a estação telégrafo-postal desta vila" (7)
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(1) Portugal , Dic. Histórico... - Lisboa, João Romano Torres Editor - 1904, Vol I, p. 724
(2) Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira -Lisboa, Ed. Enciclopédia Lda. - s/d, vol III, p.p. 272-273
(3) Portugal , Dic. Histórico... - Lisboa, João Romano Torres Editor - 1904, Vol I, p. 724
(4) Idem, Ibidem
(5) in Estrella do Minho - Famalicão - 26/Jul/1903 "Conde de Arnoso", p. 1
(6) Idem, Ibidem
(7) Idem, ... 20/Ago/1903, p. 1
CARNEIRO, Eduardo Manuel Santos (1997) -"Personalidades de Vila Nova de Famalicão no Início do século XX", Boletim Cultural nº 14, Vila Nova de Famalicão.
*Arnoso - freguesia de Vila Nova de Famalicão
**Pindela - S.Tiago da Cruz - V.N.Famalicão
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Dia Mundial do Professor
"O professor é detentor de inúmeros e diversificados poderes, legitimados pela escola, pela família e pela sociedade. O poder do professor é tão mais forte quanto mais diversificadas forem as suas bases de sustento e quanto mais estas se apresentarem em congruência com as finalidades a nível do sistema educativo(...)"*
*CARNEIRO, Eduardo Santos; CARNEIRO, Ana Paula (2003), A Indisciplina, as Relações de Poder e as Regras na Sala de Aula, ESELX, Lisboa.
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José de Azevedo e Menezes Cardoso Barreto, nasceu a 22 de Outubro de 1849 e faleceu a 12 de Setembro de 1938.
Sempre referido e mencionado apenas como José de Azevedo e Menezes, sabe-se que "foi juiz de direito substituto em Vila Nova de Famalicão. Foi provedor do Hospital S. João de Deus de Vila Nova de Famalicão, de 8 de Julho de 1880 a 10 de Julho de 1882"(66).
Foi um dos fundadores do jornal «A Palavra» e o cargo mais importante que desempenhou foi o de Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão nos anos compreendidos entre 1896 a 1898.
Sobre José de Azevedo e Menezes, senhor da casa do Vinhal, o semanário «Estrella do Minho» fazia várias referências, era um dos homens mais importantes de Famalicão, assim como dos mais ricos.
"Em 1900 José de Azevedo e Menezes era um dos três maiores proprietários da Vila" (67), era natural de Famalicão e morava na Casa do Vinhal como já foi atrás mencionado, devo portanto falar do seu belo solar e como ele foi descrito por Pinho Leal em 1890.
"A casa e quinta do Vinhal demoravam em terreno mimoso e fértil e em sítio muito vistoso e pitoresco, cerca de um kilometro a oeste de Vila Nova de Famalicão e no termo da paro chia desta Villa. Foram modernamente restaurados e muito alindados pelo seu actual possuidor e representante, o Sr. José de Azevedo e Menezes Cardoso Barreto... o palacete domina um extenso lanço da via férrea, que passa em plano um pouco inferior a 50 metros de distância, metendo-se de permeio os jardins, tem amplas vistas sobre a villa e seus formosos arrabaldes, o que tudo torna hoje esta vivenda uma das primeiras do Minho.
Tem o palacete uma linda capela brasonada" (68). O que aqui foi descrito por Pinho Leal, é o que hoje cem anos depois se pode ver, um magnifico solar com um belo jardim na frente e de onde se pode ver toda a cidade de Famalicão.
Quanto a notícias de José de Azevedo e Menezes no jornal local, são notícias referentes à ida para férias, vinda de férias e festas na casa do Vinhal.
Geralmente o Sr. José de Azevedo e Menezes ia passar as suas férias para a praia de Vila do Conde.
Assim como outras personalidades de Famalicão, José de Azevedo e Menezes era muito elogiado no jornal da sua terra, e um bom exemplo disso é a nota que a seguir vou citar:
"Foi agraciado pela Santa Sé com a comenda de S. Gregório Magno o Exmo. Sr. José de Azevedo e Menezes Cardoso Barreto, da Casa do Vinhal, desta Villa. A alta distinção pontifícia não podia realmente ser concedida a quem melhor tenha jus ao prémio justíssimo aos seus merecimentos.
Carácter íntegro de virtudes e civismo, intelligencia robusta, illustradissima, honra e orgulha o Sr. José de Azevedo e Menezes a terra onde nasceu" (69). É sem dúvida mais uma das grandes figuras ilustres que habitaram a região Famalicense.
(66) CARVALHO, Vasco de - Aspectos de Vila Nova, V. N. de Famalicão, Tip. Central, 1956, p.56.
CARNEIRO, Eduardo Manuel Santos (1997) -"Actividades Sócio-Culturais, Comerciais e Personalidades de V. N. Famalicão no início do século XX", Boletim Cultural nº 14(C.M. Famalicão), V. N. Famalicão.
Relativamente a Álvaro de Castelões, encontrei várias referências a Álvaro de Castelões num semanário famalicense denominado «Estrella do Minho».
"Álvaro de Castro Araújo Cardoso Pereira Ferraz, foi terceiro Visconde de Castelões ao qual por decreto de 27 de Novembro de 1905 foi concedida mais uma vida no título.
Álvaro de Castelões, colonialista, engenheiro e poeta, nasceu no Porto no dia 1 de Abril de 1859. Formou-se em engenharia..., foi director dos Caminhos-de-ferro do Minho e Douro" (57).
Álvaro de Castelões não se destacou só como engenheiro ou deputado, pois ele foi um talentoso poeta, publicando os seguintes livros de versos: "Beijos e Rosas em 1891; Do Soneto Neo Latino em 1930; O Sonho do Infante D. Henrique em 1936, etc."(58).
Até 1905, nas várias referências do jornal semanário «Estrella do Minho», Álvaro de Castellões é apenas tratado como o «distinto deputado e engenheiro», mas após 1905 é tratado como Visconde de Castellões. Quando ele foi agraciado com o título de visconde o jornal «Estrella do Minho» relatou o facto da seguinte forma:
-"Foi agraciado com o título de visconde de Castellões, em terceira vida, o antigo deputado por este círculo e distincto engenheiro, senhor Álvaro de Castellões.
Castelões é uma freguesia do concelho de Famalicão, onde o novo agraciado possui uma quinta e o solar dos seus maiores, que usaram igual título." (59).
Este é, sem dúvida, um notável testemunho do valor de mais uma figura ilustre do concelho de Famalicão, e também uma eminente personalidade no estrangeiro, principalmente nas colónias portuguesas em África e na Índia, como comprova uma notícia do jornal «Estrella do Minho» daquela época, onde nos é referido que: "Já seguiu para a Índia, onde vai exercer o cargo de Director Geral das Obras Públicas, o nosso conterrâneo e amigo senhor Visconde de Castellões" (60).
Sobre esta personagem ficou aqui apenas a súmula da sua biografia, que denota, no entanto que Álvaro de Castelões foi uma figura proeminente que contribuiu a vários níveis para o desenvolvimento da nação.
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(57) Grande Enciclopedia Portuguesa e Brasileira, Lisboa, Ed. Enciclopédia, Lda. - 1947, vol. 6, p.199.
(58) in Estrella do Minho - Famalicão, 21/Out/1900, "Álvaro de Castellões"(58) Grande Enciclopedia Portuguesa e Brasileira - Lisboa, Ed. Enciclopédia, Lda. ,1947, vol. 6, p.199.
(59) in Estrella do Minho - Famalicão , 5/Mar/1900, "Visconde de Castellões".p.2.
(60) Idem, ... 8/Abr/1906, "Visconde de Castellões" p.2.
CARNEIRO, Eduardo Manuel Santos (1997) -"Actividades Sócio-Culturais, Comerciais e Personalidades de V. N. Famalicão no início do século XX", Boletim Cultural nº 14, V. N. Famalicão, 1997.
A Honra de Pereira Esmeriz*
Rui Gonçalves Pereira, nascido por volta do ano de 1205, teria sido provavelmente o primeiro Senhor da Honra de Pereira - Esmeriz.
Documentos de 1285, já referem Pedro Rodrigues Pereira, como sendo Senhor da Honra de Pereira-S.Pedro de Esmeriz…
A Quinta de Pereira em Esmeriz, pertenceu também a D. Pedro Afonso(...), que casou com Dª Beatriz Pereira, no ano de 1401, ela, Dª Beatriz era filha de D.Nuno Álvares Pereira e, como dote pelo seu casamento com o infante, receberia as terras de Barroso e Barcelos, a que se juntavam outros coutos e honras de Entre-Douro-e-Minho e de Trás-os-Montes, bens que se vinham acrescentar às doações de D. João I a seu filho, sobretudo os julgados de Viana, Faria e Vermoim, julgado este ao qual ESMERIZ pertencia…
*Esmeriz - pertence ao concelho de Vila Nova de Famalicão
Trabalho ainda em fase de investigação.
in “Esmeriz Nos Primórdios da Nacionalidade”
Capela da Quinta de Pereira e Brasão
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Há várias referências num jornal local ao Barão da Trovisqueira e muitas notas que mencionam a sua esposa e filha quando estas iam a banhos, ou chegavam a Famalicão. É a partir de tudo isto que acho necessário incluir este personagem, mas reportando-me ao século XX.
O Barão da Trovisqueira, "foi 1º Barão deste titulo, José Fransisco da Cruz Trovisqueira, fidalgo - cavaleiro da Casa Real, Comendador da Ordem de Cristo, e deputado da nação em várias legislaturas. O título foi criado a seu favor por decreto de 14 de Janeiro de 1864" (43).
O Barão da Trovisqueira foi indústrial e político, Presidente da Câmara, esteve presente na administração do Concelho e foi deputado, isto segundo informações locais obtidas em pequenos calendários.
Para melhor esclarecimento desta personagem e para saber um pouco mais da sua biografia, vou citar um pequeno extrato de uma Monografia de Riba-de-Ave, freguesia do Concelho de Famalicão.
" O Barão da Trovisqueira foi pessoa notável daquele tempo (meados e fins do século XIX). Era natural do lugar da Trovisqueira , de que tomou o título, freguesia de Gavião, em Famalicão..." (44).
Segundo o Sr. Comendador Aurélio Fernando (Presidente da A. G. da Casa da Cultura de Vila Nova de Famalicão), o Sr. Barão da Trovisqueira obteve do governo autorização para o lançamento de um caminho de ferro, do Porto à Foz do Douro pelo sistema americano... sendo aquela linha ferrea a primeira que no seu genero se lançou no país, para transportes urbanos colectivos... (45).
O Barão da Trovisqueira que na sede do Concelho de Famalicão tem uma avenida com o seu nome, durante muitos anos prestou os mais assinalados serviços ao concelho, que no seu tempo se fundara.
Devem assinalar-se "as pomposissimas recepções oferecidas em sua casa e a expensas suas a D. Pedro V, D. Luis e D. Maria II, quando da visita destes soberanos a Famalicão" (46).
O Barão da Trovisqueira criou em Riba de Ave (47), uma fábrica de cardação de lãs, foi o primeiro indústrial de Vila Nova de Famalicão.
É mais uma das personalidades importantes do concelho Famalicense, a sua casa era um belo palacete, na rua principal da vila, onde passava todo o transito entre Porto e Braga.
O Palacete Barão da Trovisqueira, é assim chamado actualmente, está a ser completamente restaurado, pois vai situar-se neste palacete o futuro Museu Municipal.
Quanto a referências da sua época no jornal «Estrella do Minho», elas constituem pequenas notas dizendo que a Sra. Baroneza partiu ou chegou da Povoa, onde costumava passar a época balnear com a sua filha.
Deve-se portanto salientar a importância desta senhora, que era alvo de notícias no jornal no ínicio do seculo XX.(48)
(43) Grande Enciclopedia Portuguesa e Brasileira - Lisboa, Ed. Enciclopédia Lda. - Vol 33, p. 87.
(44) Aurelio Fernando - Riba de Ave em Terras de Entre Ambas as Aves - Riba de Ave - Externato Delfim Ferreira, 1994, Vol II,p.21.
(45) Idem, ...Ibidem .
(46) Idem, ...Ibidem .
(47) Vila pertencente ao concelho de Famalicão
Cidade de Famalicão
"Foi primeiro Conde e primeiro Visconde deste título, Bernardino Ferreira da Costa e Sousa, grande comerciante e proprietário na praça do Rio de Janeiro. Natural de Vila Nova de Famalicão, regressou do Brasil para esta localidade à qual fez benefícios assinalados e ali morreu a 25 de Outubro de 1909. Era grande protector de obras de caridade, cultura e assistência"(*).
Em 1900 já nos era referido o Sr. Visconde, pois o título de Conde só o obteve em 24 de Agosto de 1905, e era então demasiadamente conhecido como "um grande benemérito, na mais lata accepção da palavra pelos benefícios prestados à sua escola em Famalicão"(**). Tal facto é comprovado pela leitura da «Associação Beneficiente» homenagem ao Conde de S. Salvador de Mathosinhos que acabamos de receber do Rio de Janeiro. "Ali se proclama o nobre patrício e máximo benemérito da nossa escola (de Famalicão), o benemérito dos beneméritos d'aquella associação para a qual o sr. Visconde de S. Cosme do Valle contribui generosamente com muitos contos de reis todos os anos"(**).
*Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira - Lisboa, Ed. Enciclopédia Lda. - 1953 - vol. 27, p.447.
** Estrella do Minho - Famalicão, 4/Mar/1900 "Visconde de S. Cosme do Valle", p.2.
** Idem, Ibidem.
Pesquisa: Eduardo Santos Carneiro
Cidade de Famalicão